A insossa indústria literária do Brasil
Sempre que entro em uma livraria não consigo deixar de me indignar com os preços dos livros. Prateleiras cheias de lançamentos, várias opções de leitura, mas tudo a um preço inacessível a maioria da populaçao.
É um circulo vicioso. Ninguém compra livros, fazendo com que as tiragens sejam pequenas e portanto aumentanto o preço dos livros, impedindo ainda mais que eles sejam comprados. É uma grande roda de ignorância.
Verdade que brasileiro não lê. Fico indignada com pessoas que tem tempo livre de sobra e perdem ele totalmente na frente de uma TV. Vejo porteiros o dia inteiro sem fazer nada na guarita, enquanto poderiam estar lendo um livro. Não é a toa que é porteiro, se lesse mais seria alguém na vida…
Além disso, existe a absurda quantidade de impostos pagos por qualquer coisa no Brasil. Se tirássemos os cerca de 40% de imposto que um livro tem, acredito muito que o preço iria diminuir consideravelmente.
A quantidade de escritores brasileiros que vendem é insignificante em comparação a de estrangeiros. Isso não significa que aqui ninguém saiba escrever bem, pelo contrário. É só passear brevemente pela internet e ver em blogs uma série de escritores de primeira, dando sua contribuição gratuíta de literatura. Mas porque eles não vendem?
As editoras brasileiras, em virtude do mercado restrito e altas taxas, parece preferir lançar somente sucessos garantidos e best-sellers, que garantem o retorno no investimento feito. Para um livro se tornar sucesso, ele tem que ser lançado, ter um mínimo de qualidade e ser divulgado, coisa que somente as editoras estrangeiras fazem, afinal lá as pessoas compram livros e livros são baratos. Assim, as editoras nacionais se restringem a lançar os livros traduzidos, cujo marketing já foi feito pela globalização da informação e lançar alguns poucos escritores brasileiros conhecidos e que vendem.
Espaço para novos? Somente poucos escolhidos ou então em editoras independentes, que não conseguem os direitos de coisa mais vendável e topam lançar um livro de qualidade de um cara desconhecido.
Existe mais um problema nessa lógica: os trabalhos de tradução no Brasil (salvo algumas excessões) são, na melhor das hipóteses, sofríveis. Erros, traduções mau feitas que perdem a essência da história, expressões que perdem o sentido, tudo isso contribui para que os livros disponíveis para o público brasileiro sejam de qualidade bem inferior ao que é publicado lá fora.
Quando você junta preços altos demais, livros de qualidade questionável e uma cultura de repúdio a livros, nao resta muito da indústria literária no Brasil. Assim, você vê livrarias fechando, editoras falindo e o horário das novelas aumentando cada vez mais.
Esse é o Brasil.
A única coisa boa disso tudo é que ainda nos restam os Sebos, e como as pessoas não gostam de ler, você ainda pode achar preciosidades como os 4 volumes de Brumas de Avalon a venda por trocados. Para quem gosta de ler e tem disposição de garimpar, é um bom negócio. Mas tem que se contentar com o que já foi publicado por aqui…

[...] vez, num tempo longínquo, escreviaqui um artigo sobre a indústria literário no Brasil. Sempre que penso em livros no Brasil, me vem a [...]
Mais do Mesmo » Blog Archive » Filme do livro, livro do filme. disse isso em 12/12/2007 às 16:52